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8 de março - Temer sai, aposentadoria fica: pela vida das mulheres!

8 de março – Temer sai, aposentadoria fica: pela vida das mulheres!

8 de março de 2017, o dia começa com as mulheres do MST ocupando a fazenda de Eike Batista em Minas Gerais. Por conta destas mulheres, 3 mil hectares de terras improdutivas que estavam abandonadas agora serão ocupadas por 100 famílias que produziram alimentos saudáveis.

Mais tarde fui ao Plenário da Câmara Municipal de SP, onde fiz uma fala a respeito do impacto negativo da Reforma da Previdência na vida das mulheres. Lembrei meus colegas, em sua grande maioria homens, que com a reforma a pobreza entre as mulheres idosas passaria de 6,6% para 56,8%. Não me admiraria saber que os vereadores que lá estavam deram pouca atenção à minha fala, afinal, como um homem poderia saber o que passa uma mulher?

Para minha felicidade, mais tarde fui marchar com minhas companheiras na Praça da Sé. Elas eram de diferentes movimentos sociais e populares, algumas senhoras idosas que seguravam tambores e batucavam como nunca contra a Reforma da Previdência, outras jovens que gritavam tão alto quanto podiam para assegurar o seu direito a aposentadoria.

Me encontrei com companheiras da luta pela moradia, da Marcha Mundial de Mulheres, da União de Mulheres, da CUT, etc, entre todas elas o grito era único: “Temer sai, aposentadoria fica!”. Saí da Praça da Sé com mais de 30 mil companheiras ao meu lado, me senti forte, respaldada e preparada para a luta. Passamos pelo Largo São Francisco e me lembrei que lá, pela 3ª vez na história, o Centro Acadêmico de maior tradição do país é presidido por uma mulher. Mais uma vez me fortaleci.

Marchamos enquanto anoitecia, tomamos as ruas de São Paulo. Junto a mim companheiras históricas como a Ministra do governo legitimamente eleito (volta Dilma!) Eleonora Menicucci. E enquanto o golpista Temer reduzia a mulher a funções domésticas em entrevista, mulheres cuspiam fogo contra a retirada de direitos.

Por fim chegamos a Prefeitura de São Paulo. Atualmente, para mim, marco maior do neoliberalismo, da privatização e dos desmandos capitalistas. Marca de uma gestão que quer vender o SUS a todo custo, que criminaliza a arte de rua e trabalha junto ao governo do Estado para criminalizar os movimentos sociais. Nesta hora, uma fumaça roxa tomou conta do espaço e gritamos em alto e bom som “MULHERES QUEREM APOSENTAR, É MEU DIREITO, NOSSO DIREITO QUE O GOLPISTA QUER ROUBAR”.

Quando cheguei em casa, acompanhei através da imprensa livre uma série de outros atos e manifestações que tomaram conta do nosso Brasil. Mulheres sem terra, negras quilombolas, indígenas, mães solo, trabalhadoras, sindicalistas, professoras, etc, tomaram as ruas e prédios de nosso país, cruzaram os braços e...PARARAM. Pararam pela vida das mulheres, pelo direito a aposentadoria e uma vida digna, pararam pelo fim do machismo e principalmente para mostrar que mulheres movem o mundo.

Não tenho como agradecer a todas as companheiras, mas posso dizer que minha alegria não cabe em mim. Me emociono ao ver a luta das mulheres protagonizando a busca por políticas públicas, democracia e direitos básicos para toda a população. Me emociono ao ver que sim, nós podemos. Somos muitas e não nos restringirão nenhum direito desde que estejamos juntas.

Juliana Cardoso

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