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85 anos do Sufrágio Feminino

85 anos do Sufrágio Feminino

85 anos do Sufrágio Feminino

Há 85 anos, Getúlio Vargas sancionava o decreto nº 21.076 de 24 de fevereiro de 1932. Há 85 anos, o homem assinava o papel que dava a nós mulheres o direito de votar. Há 85 anos o homem assinava, mas desde o início da república no Brasil as mulheres lutaram por igualdade perante as urnas.

O direito de votar e eleger representantes não nos foi dado por nenhum político. Aliás, se Vargas assinou tal decreto utilizou caneta e um tinteiro de lágrimas, suor e sangue de mulheres sufragistas que marcharam e lutaram pelo direito de ir às urnas.

Diferentemente de outros momentos, não consigo comemorar este 24 de fevereiro. Não consigo comemorar porque o direito ao voto há tempos não é uma conquista suficiente. De que vale elegermos mulheres se ao fim do dia elas serão derrubadas em golpes que tiram delas o poder e de nós a legitimidade do voto? De que vale elegermos mulheres se ao fim do dia elas assistirão na casa legislativa seus colegas de trabalho homenagearem o seu torturador? Foi-se o tempo em que isso nos valia. Agora queremos mais, queremos respeito ao nosso voto.

Ainda este mês topei num desses casos onde meus 34.949 votos, muitos deles femininos, foram desrespeitados. Num circo armado para atacar o Partido dos Trabalhadores, a Bancada de Vereadores do PT e a esquerda, fui uma pedra no caminho que os fascistas tentaram chutar pra longe violentamente. Fui achincalhada, chamada de louca, desqualificada. Vi meus perfis na internet serem invadidos por muitos fundamentalistas (e outros tantos robôs do MBL) que ameaçaram inclusive meus filhos.

Por isso, poder votar não me basta. Quero que o meu voto seja respeitado e que respeitem todos os votos que eu receber também. Quero ser só uma das muitas mulheres indígenas e da periferia que pelo voto popular ainda chegarão as casas legislativas deste país. E nós vamos chegar por todas as mulheres que marcharam pelo direito ao voto, por todas as mulheres negras que com luta fizeram cair a chibata da mão do feitor e hoje lutam para derrubar também o racismo. Por Claudia que foi arrastada por um carro de polícia e morta no Rio de Janeiro. Por Maria do Rosário que enfrenta diariamente homens como Bolsonaro em Brasília e por Dilma Vana Rousseff, a primeira mulher eleita para a presidência da república.

Que hoje nossas vozes e corações se unam para fazer deste um país melhor para as companheiras que virão. Que sejamos agente ativos da luta pela restauração da democracia.

Daniela Lucatto

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